sábado, 12 de outubro de 2013

A minha ligação à terra...

Trabalhar a terra fascinou-me desde sempre.

Em miúdo, quando acompanhava o meu pai nas deslocações à sua exploração pecuária, admirava pelo caminho o contraste entre os grandes tractores e as suas enormes alfaias em trabalho, sulcando a terra até ao infinito, e as mulheres, que com um sacho muito curto, cavavam vergadas pelo seu próprio peso, ao qual por vezes acrescia o peso de um filho cuidadosamente aconchegado ao corpo por uma capulana.
É que nasci em Moçambique, e ali, o conceito de agricultura, horta e distância é muito diferente daquele a que estamos habituados. Aliando isto, ao facto de nessa altura ver o mundo com os olhos de uma criança, engrandeceu-me o fascínio.

Sabié, Moçambique, 1969

A minha avó materna, ensinou-me o gosto por plantar e ver crescer a batata-doce, o ananás, os tomateiros e as árvores de fruto, cujos cheiros ainda hoje me alimentam os sentidos. O meu avô paterno, enquanto conversávamos, deixava-me contemplá-lo durante horas fazendo a sua horta urbana na Foz do Douro, intervalando esses momentos com a degustação de figos pingo-de-mel, subtraídos aos ramos da figueira que coabitava o seu quintal, e o pregar-me algumas partidas  que guardo com saudade.

Com a juventude e a ausência de raízes que me prendessem à terra, fizeram com que me alheasse. Só agora, com 50 anos, despertei para o regresso.
Fi-lo, por uma necessidade emergente de saber o que como e o que comem os meus, e porque chegou a hora de lhes legar um passado, confortá-los no presente, e dar-lhes algumas ferramentas que lhes permita encararem o futuro com realismo e esperança.

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