segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Transplantar os “mimos”


Os tomateiros, os pimentos, o alho francês e as courgettes estão grandes e prontos para serem transplantados na horta. É tempo, também, de plantar as couves e semear as ervilhas e os feijões.
Já preparei a terra que há-de receber os “mimos”. Fresei-a com a ajuda do motocultivador, e acrescentei-lhe uma boa dose de adubo orgânico NUTRI+ pulverulento, que ficou bem misturado. Deixei repousar a terra cerca de duas semanas antes de proceder ao transplante.

Tomateiros
Pimenteiros
Courgette
Alho francês

Aproveitei também, para semear as couves da época (couve-penca e couve-tronchuda).

couve-penca Couve-tronchuda

Medraram praticamente todas as plantas, e à parte os pimenteiros que poucos pimentos produziram, os tomateiros e as courgettes cumpriram as minhas expectativas. Apesar de certa forma ter negligenciado a exposição solar, quando escolhi o locar para plantar os “mimos”, não me posso queixar de não ter tido uma boa produção. Contudo, os frutos são pequenos. Direi mais qualquer coisa quando amadurecerem e os provar.

Tomateiros

Alho-francês

Couves


Tal como as cebolas, os tomateiros, os pimentos, as courgettes e todos os “mimos” em geral, são regados dia sim, dia não, de manhã cedo. Tenho uma resistência muito grande quanto ao uso indiscriminado de herbicidas. Por isso, sachar é a única alternativa. Mas o esforço compensa...

Semear os “mimos”


Aqui mais a norte, chamam-se “mimos” aos produtos “especiais da horta”. Aqueles que requerem mais cuidados na plantação, regas frequentes, e que por fim se transformarão em pequenas iguarias à nossa mesa.
Apesar de ser muito mais fácil comprar as plantas já crescidas e transplantá-las, não quis deixar passar a oportunidade de fazer eu mesmo as sementeiras, e ver nascer e crescer as pequenas plantas.
Adquiri as sementes no mercado, juntamente com algumas couvettes próprias para sementeira.

Semente de alho francêsSemente de tomateSemente de courgette


O que pude semear em alfobre, fi-lo em recipientes indiferenciados. Para levar a cabo esta tarefa, utilizei um substrato comercial universal, ao qual adicionei húmus de minhocas. Com esta mistura, enchi os favos dos recipientes e depositei duas sementes em cada um, cobrindo-as levemente. De seguida reguei-as bem, mas com um pequeno borrifador, para não desenterrar as sementes. Em pouco mais de uma semana, as pequenas plantas começaram a brotar da terra e rapidamente se puseram neste estado.

Sementeira de tomateirosSementeira de alho francês
Courgette


Rego-as diariamente pela manhã e aguardo que cresçam o suficiente para as levar para a horta.

O batatal


As batateiras começaram a nascer, viçosas e bonitas. Não todas ao mesmo tempo como gostaria, mas por causa de um erro que cometi.
Como já aqui referi, este ano foi atípico no que diz respeito a chuva, e as sementeiras tiveram de ser adiadas porque com terrenos alagados nada se planta… a não ser arroz.
Aproveitando a melhoria de tempo na Páscoa e numa corrida contra o tempo, semeei 1/3 do que pretendia, já que a chuva lembrou-se de marcar presença novamente, antes de nos deixar entrar definitivamente na primavera. Os outros 2/3, semeei-os duas semanas depois debaixo de forte calor. E este foi o erro.
À medida que a manhã ia avançando, o termómetro subia com a mesma rapidez com que a terra secava, e porque não acredito em coincidências, todas as sementes que foram cobertas com a terra seca e quente demoraram a emergir.
O aspecto das primeiras plantas. Aqui, nota-se bem o espaço que deixei entre os regos, que me favorecerá a eliminação das indesejáveis ervas daninhas, o recobrimento das plantas e qualquer eventual tratamento. À esquerda, repare-se que as plantas ainda não brotaram.

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Eis o aspecto das batateiras 1 mês depois de semeados os últimos pés, notando-se bem a diferença entre as que semeei em primeiro lugar (à direita) e as últimas (à esquerda). Cheguei a pensar, que estas não chegassem a ver a luz do dia. Mas enganei-me.
Já são visíveis os camalhões formados pelo recobrimento dos pés das plantas.
Como o terreno esteve a monte cerca de 3 décadas, e ser pobre em nutrientes, reforcei a dose de adubo que utilizei na sementeira, espalhando um pouco de Foskamónio 10+10+10 à superfície.

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Eis o batatal na sua máxima pujança. Espero que o resultado final traduza o aspecto, que por agora me regala os olhos. Porém, não me esquecerei do erro cometido.

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Até agora, a aposta que fiz ao intervalar os regos mais do que o normalmente por aqui é prática corrente, foi ganha. Os caules são fortes e a rama verde e espessa.
Os cuidados que a terra e as plantas me mereceram foram diversas sachas para a eliminação das ervas daninhas, a fim de que na disputa pela absorção dos nutrientes da terra estas não saíssem a ganhar e não impedissem o crescimento das batateiras, e a pulverização a cada duas semanas com CIMOFARM, por precaução contra o míldio.
Aguardo pacientemente pelo resultado final.

sábado, 12 de outubro de 2013

Semear batata


Após a partilha da batata, chegou a hora de a lançar à terra.

Na zona onde me encontro (Entre-os-rios, Penafiel), a batata é normalmente semeada a regos, intervalados com a largura aproximada da folha da enxada. Esta prática, acredito que terá mais a ver com o aproveitamento do espaço a cultivar, do que qualquer outra coisa.

Depois de ler e informar-me, decidi utilizar o motocultivador na abertura dos regos para a sementeira. Utilizei uma bitola de 60cm entre regos, que foram abertos dois a dois, com a alfaia regulada para sulcar a terra imediatamente atrás de cada roda.
A razão porque me decidi pelos 60cm entre regos, prendeu-se com o desejo de ter espaço para caminhar entre o batatal quando proceder à monda das ervas daninhas, facilitar o tratamento localizado e me permitir a apanha mecanizada.

Abertos os regos, coloquei as sementes a uma distância de 40cm entre si, intervaladas com um pouco de adubo NUTRI+ pulverolento, tendo o cuidado deste não ficar em contacto com a semente. Como o terreno esteve a monte cerca de 3 décadas, e ser parco em nutrientes, reforçarei a dose de adubo mais tarde, quando as plantas tiverem cerca de 20cm e antes da primeira sacha, espalhando um pouco de Foskamónio 10+10+10 à superfície.

Porém, eu esperava que fosse mais fácil o tapamento dos regos onde foram colocadas as sementes a 40cm entre si. O que previ, foi a passagem do motocultivador entre os regos e proceder ao tapamento e criação de camalhões, mas tal mostrou-se impraticável, já que a terra se encontrava muito macia, e tornava-se impossível definir a trajectória do motocultivador de forma rectilínea, sem que se deslocasse para dentro dos regos semeados.

Necessitei então, de encontrar uma situação alternativa, sem recorrer à enxada. E a solução por que optei, foi o tapamento dos regos por arrasamento com o auxílio de um ancinho.
Esta solução trouxe-me um trabalho adicional, que foi o recobrimento parcial das batateiras após a emergência, mas resultou. Espero pacientemente pelo resultado final.

A batata


Chegou a hora de adquirir a batata para a sementeira, que este ano será tardia. A chuva teima em não nos deixar, os campos estão impraticáveis, e as culturas atrasadíssimas.

Estou num verdadeiro dilema, já que a oferta é grande, e todos com quem falo não são isentos e imparciais na hora de me darem a sua opinião.
Desloquei-me então à Cooperativa de Agricultores da Maia, onde compro grande parte do que preciso para estas andanças, e entre as denominações DESIREE (Holanda), STEMSTER (França) e YONA (França), optei por esta última.

A razão da minha escolha, resultou da consulta de documentação disponível na internet, que coloca esta semente entre as menos conhecidas, mas das mais produtivas, e com menor factor de risco quanto a pragas e agentes externos, sendo estes últimos factores, os que mais me preocupam.
Tive a preocupação - para evitar dissabores - de adquirir semente certificada. Recordo, que nestes casos, a etiqueta informativa e de controlo fitossanitário deve vir cozida directamente ao saco, e não colada, ou amarrada.

Adquirida a semente, verifiquei que não estava ainda grelada, pelo que espalhei os tubérculos num tabuleiro, para que os pequenos grelos se desenvolvessem. A baixa temperatura que se fez sentir no mês seguinte, pouco contribuiu para o crescimento das protuberâncias, pelo que, a 19 de Abril decidi não esperar mais e procedi ao corte (partilha) das batatas para semear, mas não, sem que antes as fizesse permanecer 12 horas envoltas em cinza de madeira.
Daqui, foram directamente para a terra.

É hora de plantar o cebolo

Plantação de cebolas e sacha

A chuva não nos larga, e as culturas estão atrasadas.
Como é a primeira vez que planto o cebolo (é assim que aqui no norte se designa a planta que produzirá a cebola), não fiz alfobre, e decidi adquirir cerca de 350 pés, que é o suficiente para consumo da casa. Feitas as contas, dará para consumir cerca de uma cebola por dia, se medrarem todas.

Em abono da verdade, adquiri o cebolo duas vezes. A primeira, a 19 de Março, na feira anual de S. José em Leça do Balio - Matosinhos, mas a fragilidade dos rebentos e a impossibilidade de os plantar de imediato, resultou em perda total.
Adquiri a 11 de Abril, na feira semanal de Famalicão, os 350 pés que plantei, desta vez muito mais viçosos, mas com o preço mais elevado também. Pelo substrato arenoso que cobria parte das raízes, presumo que se tratará de cebolo da zona da Póvoa de Varzim.
Plantei-os 2 dias depois, tradicionalmente à enxada. Abri os regos pouco profundos, um de cada vez, onde coloquei as plantas encostadas contra a parede do rego mais distante do rego subsequente, distanciadas entre si cerca de 25cm. Entre as plantas, coloquei um pouco de adubo orgânico NUTRI+, preocupando-me sempre que não toque as plantas. Cada pé produzirá apenas uma cebola. Aparentemente vingarão todos os pés.

Houve quem me recomendasse aplicar um herbicida selectivo nas cebolas, logo após o transplante. Decidi não o fazer, consciente do trabalho acrescido que esta minha opção implicaria, nomeadamente incrementando o número de sachas para eliminação das ervas daninhas, mas consciente também, de que um químico é sempre um químico, e a sua aplicação tem sempre implicações pouco desprezíveis no meio ambiente. Na foto, poderão constatar que as cebolas estão devidamente sachadas, operação que tive que realizar por três vezes.
Quanto às regas, estou a fazê-lo dia sim, dia não, de manhã cedo.

O meu precioso ajudante de campo


Acreditei sempre, que o mérito da revolução industrial, foi contribuir para aligeirar o trabalho manual, e proporcionar ao Homem melhor qualidade de vida, minimizando a sua pena nesta passagem terrena. Resumindo isto numa equação, teríamos:

Trabalho + Máquina - Homem = Mais Qualidade de Vida

Contudo, quis a ganância de alguns, introduzir nesta simples equação o factor crescimento e, a meu ver, estragou tudo. Bem, mas isso é outra conversa...

Continuo porém a acreditar, que a máquina é um excelente auxiliar do Homem, e nas árduas tarefas do campo, este pensamento está sempre presente.
Decidi então, adquirir um motocultivador usado. Algo que me facilitasse verdadeiramente a vida, com alfaias permutáveis e de fácil manutenção. Procurei o mercado de usados na internet e, entre várias oportunidades encontradas, que aliavam a qualidade do equipamento e o seu estado geral à minha capacidade financeira, a minha escolha recaiu num equipamento francês da marca STAUB, modelo PP2X, que fui buscar a Ansião.

Sobre este equipamento em particular, dedicarei um próximo 'post'.

O início desta aventura


A possibilidade de eu e os meus podermos trabalhar a terra, chegou-nos de um benemérito proprietário, que preferiu ceder um dos seus terrenos, a vê-los a monte como estiveram durante mais de 30 anos.  

Porém, eu não fazia a mínima ideia do estado deplorável em que a terra se encontrava. 

A primeira cavadela pôs a nú a cruel realidade, e deu-me o primeiro aviso de que a coisa não seria fácil. A enxada, saltava literalmente, de cada vez que violentamente embatia no solo. Muito dificilmente poderia cultivar um palmo de terra, cingindo-me à utilização desta ferramenta.
Como tinha em mente semear batatas e cebolas para começar, decidi revolver completamente a terra, o mais fundo que conseguisse, por forma a eliminar as infestantes, e promover o arejamento da terra.

Recorri então aos serviços de um tractor pesado, e lavrei a terra a uma profundidade de quase 0,5 metros, deixando-o repousar cerca de 30 dias, para depois proceder à sua fresagem.

Não foi fácil. 

A minha ligação à terra...

Trabalhar a terra fascinou-me desde sempre.

Em miúdo, quando acompanhava o meu pai nas deslocações à sua exploração pecuária, admirava pelo caminho o contraste entre os grandes tractores e as suas enormes alfaias em trabalho, sulcando a terra até ao infinito, e as mulheres, que com um sacho muito curto, cavavam vergadas pelo seu próprio peso, ao qual por vezes acrescia o peso de um filho cuidadosamente aconchegado ao corpo por uma capulana.
É que nasci em Moçambique, e ali, o conceito de agricultura, horta e distância é muito diferente daquele a que estamos habituados. Aliando isto, ao facto de nessa altura ver o mundo com os olhos de uma criança, engrandeceu-me o fascínio.

Sabié, Moçambique, 1969

A minha avó materna, ensinou-me o gosto por plantar e ver crescer a batata-doce, o ananás, os tomateiros e as árvores de fruto, cujos cheiros ainda hoje me alimentam os sentidos. O meu avô paterno, enquanto conversávamos, deixava-me contemplá-lo durante horas fazendo a sua horta urbana na Foz do Douro, intervalando esses momentos com a degustação de figos pingo-de-mel, subtraídos aos ramos da figueira que coabitava o seu quintal, e o pregar-me algumas partidas  que guardo com saudade.

Com a juventude e a ausência de raízes que me prendessem à terra, fizeram com que me alheasse. Só agora, com 50 anos, despertei para o regresso.
Fi-lo, por uma necessidade emergente de saber o que como e o que comem os meus, e porque chegou a hora de lhes legar um passado, confortá-los no presente, e dar-lhes algumas ferramentas que lhes permita encararem o futuro com realismo e esperança.